terça-feira, 7 de outubro de 2008

Ser ou não ser, eis a questão


Hamlet tinha a caveira dele. Eu também tenho a minha


Bom, Diário – nem tão diário assim, como veremos futuramente... rs – eis a questão! Ser ou não ser? Outro dia reli (releio-a sempre) um poema da Adélia Prado, A Serenata, que vai fundo, como só ela sabe, nesta questão. Ser doida ou santa? Há meses essa dúvida martela a minha cabeça e as conseqüências são visíveis a olho nu (meu rosto está cheio de espinhas. Saco!).




Que conseqüências recairiam sobre a minha existência se eu decidisse ser doida? A primeira delas seria a minha paz de espírito (é, até a Morte tem ou sonha ter) que, de atualmente pouca, se resumiria a nada. Meu próprio julgamento e condenação seriam sumários, porque quem não tem vocação pra esse tipo de loucura é o primeiro a se condenar. Depois, vêm as conseqüências externas, o julgamento e a condenação alheios. Que só reforçam aqueles a que já me submeteria. Um preço muito alto, que poucos são loucos (oh!) de pagar...




Ao optar por ser santa...Eu manteria minha consciência e dignidade intactos. Não diria que teria de volta a tão sonhada paz. Ah, esta ficaria no empate. Afinal, seres passionais só têm paz de espírito quando estão (muito, muitíssimo) próximos do seu objeto de desejo. E renunciar a isso é o tipo de sacrifício equivalente ao dos grandes mártires. Se é sacrifício, o próprio nome diz: "do Lat. Sacrificiu s. m., acto ou efeito de sacrificar; oferta de vítimas ou de donativos à divindade, revestida de certo ritual, para expiação da culpa ou para implorar auxílio; imolação; sofrimento (Priberam Língua Portuguesa Online)". E agora?




Para quem não conhece, ouça uma belA Serenata




"Uma noite de lua pálida e gerânios
ele virá com a boca e mão incríveis
tocar flauta no jardim.
Estou no começo do meu desespero
e só vejo dois caminhos:
ou viro doida ou santa.
Eu que rejeito e exprobo
o que não for natural como sangue e veias
descubro que estou chorando todo dia,
os cabelos entristecidos,
a pele assaltada de indecisão.
Quando ele vier, porque é certo que vem,
de que modo vou chegar ao balcão sem juventude?
A lua, os gerânios e ele serão os mesmos
- só a mulher entre as coisas envelhece.
De que modo vou abrir a janela,se não for doida?
Como a fecharei, se não for santa?"


Adélia Prado

4 comentários:

Cyntia Barrozo disse...

Err.... olha, tenta esse: (68) 3225-6434

E quem mais tiver, digamos... hãn.. interessado, pode ligar tbm..

Boa sorte! =P

Charlene Carvalho disse...

carca marcela, adoro Adélia Prado.
Tenho uma coletânea dela que amo!
Meu poema prteferido dela chama-se impressionista. É bem pequena. Adoro!!!
Impressionista


Uma ocasião,
meu pai pintou a casa toda
de alaranjado brilhante.
Por muito tempo moramos numa casa,
como ele mesmo dizia,
constantemente amanhecendo.

Adaildo Neto disse...

olha...

Não adianta paz, se o que queremos não é paz. E outra coisa dona Morte, a paz só acontece depois que você passa na vida de algumas paz. Qual seria a intenção da Morte obter paz.

Acho que a Morte está mais ligada ao prazer. Ultimamente tudo que mata dá prazer, não é?

Se louca ou santa, seja louca, afinal das contas Morte que é morte nunca vai ter crises de dignidade ou até mesmo de consciência.

Viva.

hummm...

(contraditório)

☆ Sandra C. disse...

questão é que não existe ninguém normal...