quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Varrendo a alma

Minha foice é mil e uma utilidades (arte de Bryan Ballinger. Linda, não?)


Não sou prendada. Não sei lavar, não sei cozinhar, não sei passar, não tenho paciência alguma pra serviço doméstico. E não foi por falta de esforço da minha mãe, coitada. Ela tentou. Mas hoje, Diário, decidi, por livre e espontânea vontade (e 99% pressão, ao ver teias de aranhas em cada canto do apê), pegar a vassoura e varrer a sujeira. Atire a primeira pedra, Diário, se tu também não deixa as coisas chatas pra depois. Eu deixo. Eu acumulo serviço. Deixo pra amanhã o que posso fazer hoje. Sem culpa. Tem gente que é feliz ariando panela, janela, roupa, lajota, até deixá-los brilhando.




Eu não. Eu tento ser feliz fazendo as minhas obrigações quando eu acho que têm que ser feitas. É defeito? Não é normal? Mas quem é perfeito? Que graça há em ser normal? Engraçado que, enquanto eu varria, ia me sentindo mais leve. Parece que com a sujeira acumulada do apartamento ia junto, pra lixeira, a sujeira acumulada na minha alma, na minha mente. Não sei se pela sensação de dever cumprido, ou se uma coisa tem a ver com a outra. Vai saber? Há mais coisas entre o céu e a terra do que as linhas tortas por onde o Chefe escreve. E ainda bem que meu apê é pequeno.

6 comentários:

Tião Vitor disse...

Se não estiver muito cansada, o meu ap está igualzinho ao seu. Dá uma faxininha por lá? (rs)

Adaildo Neto disse...

O trabalho é sujo, mas a morte é limpinha.

Isso me impressiona.


*..


Me sinto lendo a personagem Morte criada pelo idolo da jovem literatura Neil Gaiman. Se não conhece, vale a pena!

parabens!

Dona Morte disse...

"Morte manifesta-se como uma mulher jovem e - diferente dos outros Perpétuos - não habita seu próprio reino astral, vivendo numa casa na Terra. Ela visita cada pessoa que morre e pode aparecer para inúmeros seres ao mesmo tempo. Morte estará presente no final do Universo, quando será seu dever colocá-lo em ordem e, seguindo suas próprias palavras, "trancar o lugar atrás de mim quando eu sair". Seu símbolo é o ankh. É dito que, uma vez a cada cem anos, Morte prova o amargo sabor da mortalidade para melhor compreender sua missão. Esse é o preço por ser a divisora entre todos os vivos que já se foram e os que ainda irão". (http://literaturaociosa.blogspot.com/2005/09/sobre-os-perptuos-ou-sem-fim.html)

Simplesmente adoray! Então, menino, estou exatamente nesse intervalo entre os centenários! Daí a necessidade de um diário pra desabafar sobre as experiências terrenas. rs

Eduardo Menezes disse...

Demita seu chefe, e tudo ficará bem.

*Ele que controla os outros pode ser poderoso... mas aquele que é mestre de sí é mais poderoso ainda - Lao Tsu

Cyntia Barrozo disse...

Não demita seu Chefe... O trabalho d'Ele é bom e agradável! Ele é o primeiro a querer que você seja mestre de sí mesma!

=)

☆ Sandra C. disse...

hahaha!
miacabay de rir aqui!