sábado, 29 de novembro de 2008

O que eu queria...

Jeannie: "Fala, que eu te atendo, amiga"


Uma vez peguei um caderno antigo da minha irmã, e na última folha havia uma lista de coisas intitulada "O que eu queria". Lembrei disso esses dias e hoje resolvi fazer a minha. Não, não é aqueeela "Lista" do Oswaldo Montenegro. Tenho medo de fazer aquela e, ao término, terem que me mandar pro sanatório com surto existencial. rs. Bom, pensei em algumas coisas que eu queria, MUITO, muito mesmo. Como sonhar é de graça, aqui vai, Diário. Seja todo "ouvidos", por favor.


- Eu queria um filho. Olha que ironia, a Morte querendo gerar vida. Mas mesmo assim, o instinto maternal também me fala alto. Aliás, está gritando ultimamente. Difícil me manter indiferente. Se for homem, vai se chamar Aramis. Mulher, Leandra.


- Eu queria ir pra Londres. Se desse só pra conhecer, já estaria de bom tamanho. Mas meu sonho mesmo é morar lá. Não sei por quê. Não sei de onde veio esse desejo, que carrego desde sempre. Será por causa dos Beatles? Da Rainha Elizabeth? Do Coldplay? Do Sherlock Holmes? Do futebol? Dos Celtas? Peço ajuda dos universitários...rs


- Eu queria ser escolhida. É. Isso mesmo. Não é "escolher", isso eu já fiz. Deu pra entender, né? Es-co-lhi-da. Que o objeto da minha angústia optasse por mim. Já que é pra falar de sonhos, este é um. Tão distante quanto os outros. Fazer o quê.

- Eu queria saber cantar. Pra espantar os males em grande estilo.


- Eu queria chegar longe. Mas não sei que rumo tomar.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

A Morte enlutada

Um ano se passou. Parabéns!


366 dias se passaram, Diário.
Trezentos e sessenta e seis dias que morri.
366 dias.
Morte prematura.


"Tears stream down on your face
When you lose something you cannot replace
Tears stream down on your face
And I...
Tears stream down on your face
I promise you I will learn from my mistakes
Tears stream down on your face
And I...
Lights will guide you home
And ignite your bones
And I will try to fix you"

(Fix you, Coldplay)


Com licença, poética!

A Morte amando...Que contradição

Quando encontrar alguém e esse alguém fizer seu coração parar de funcionar por alguns segundos, preste atenção: pode ser a pessoa mais importante da sua vida.

Se os olhares se cruzarem e, neste momento, houver o mesmo brilho intenso entre eles,fique alerta: pode ser a pessoa que você estáesperando desde o dia em que nasceu.

Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo for apaixonante, e os olhos se encherem d'água neste momento, perceba: existe algo mágico entre vocês.

Se o 1º e o último pensamento do seu dia for essa pessoa, se a vontade de ficarjuntos chegar a apertar o coração, agradeça: algo do céu te mandou um presente divino : O AMOR.

Se um dia tiverem que pedir perdão umao outro por algum motivo e, em troca, receber um abraço, um sorriso, um afago nos cabelos e os gestos valerem mais que mil palavras, entregue-se: vocês foram feitos um para o outro.

Se por algum motivo você estiver triste, se a vida te deu uma rasteira e a outra pessoa sofrer o seu sofrimento, chorar as suas lágrimas e enxugá-las com ternura, que coisa maravilhosa: você poderá contarcom ela em qualquer momento de sua vida.

Se você conseguir, em pensamento, sentiro cheiro da pessoa como se ela estivesse ali do seu lado...Se você achar a pessoa maravilhosamente linda, mesmo ela estando de pijamas velhos, chinelos de dedo e cabelos emaranhados...Se você não consegue trabalhar direito o dia todo, ansioso pelo encontro que está marcado para a noite...Se você não consegue imaginar, de maneira nenhuma, um futuro sem a pessoa ao seu lado...Se você tiver a certeza que vai ver a outra envelhecendo e, mesmo assim, tiver a convicção que vai continuar sendo louco por ela...Se você preferir fechar os olhos, antes de vera outra partindo: é o amor que chegou na sua vida.

Muitas pessoas apaixonam-se muitas vezes na vida, poucas amam ou encontram um amor verdadeiro. Às vezes encontram e, por não prestarem atenção nesses sinais, deixam o amor passar, sem deixá-lo acontecer verdadeiramente. É o livre-arbítrio. Por isso, preste atenção nos sinais. Não deixe que as loucuras do dia-a-dia o deixem cego para a melhor coisa da vida: o AMOR !!!

(Dizem que é do Carlos Drummond de Andrade)

Enfim, quantas e quantas vezes eu senti isso... Poucas foram recíprocas. Atualmente, me encontro neste estado de novo, mas também sem previsão de chuva. Como diria um fulano de tal, o amor é simples, o ser humano é que complica demais.


quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Não agüento mais!



Humor negro do dia! rs

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Efeito Borboleta

Quem diria...Eu, uma borboleta


Várias foram as justificativas pra, enfim, me decidir por um tema pra tatuar meu corpo. Um sonho antigo que eu tinha. A primeira, de cara, foi a metamorfose. Tanto externa, beeem visível, quanto interna. Não foram poucas as pessoas que vieram me dizer que eu mudei - pra muito melhor - depois que...que certos episódios aconteceram na minha "vida". A caminho do tatuador, surgiu outro motivo, que tem tudo a ver com o primeiro: a Teoria do Caos, ou "Efeito Borboleta". Aquela que diz que um bater de asas de uma borboleta lá no Afeganistão pode provocar um furacão em Xapuri. Foi o que aconteceu, antes da metamorfose.


Mas nunca, nunca mesmo, vou deixar de me admirar com os fenômenos do inconsciente. Sempre me prendia mais aos desenhos de borboletas do que quaisquer outros. Até que me surgiram os motivos para escolher a mais bonita (a meu ver) e, enfim, acabar com a minha agonia. Eis que um novo velho amigo me trouxe a melhor resposta de todas. Abaixo:


"Coloridas e diurnas, as borboletas prenunciam acontecimentos alegres, ao contrário de suas irmãs mariposas, quase sempre negras e noturnas, que noticiam a infelicidade. No imaginário humano, porém, ambas estão relacionadas à alma. Na cultura greco-romana, assim como na egípcia, acreditava-se que a alma deixava o corpo em forma de borboleta. A palavra psique, em grego, quer dizer ao mesmo tempo espírito e borboleta. Nos afrescos de Pompéia, a psique é representada por uma criança com asas de borboleta.


Para a civilização asteca, ela era o sopro vital que saía pela boca do morto, além de estar associada a uma divindade (Itzpapalotl, cruzamento de uma mulher com uma borboleta). Esse simbolismo está relacionado à sua metamorfose, que, metaforicamente, expressa a saída do túmulo (casulo) para o renascimento. Essa associação de seu ciclo vital – a passagem do mundo dos mortos para o dos vivos-, também é utilizada na cultura oriental. No Japão, borboletas são espíritos viajantes; o seu surgimento anuncia uma visita ou a morte de um parente. Por outro lado, duas borboletas juntas querem dizer felicidade conjugal. No Vietnã, sua presença exprime longa vida, mas, nesse caso, é devido a uma coincidência fonética: duas palavras com pronúncia semelhante significam “borboleta” e 'longevidade'".


É ou não é de arrepiar, Diário? O verdadeiro motivo sempre esteve ali, só faltava lançar luz sobre ele.

sábado, 15 de novembro de 2008

O meu Mr. Hyde

Escuridão na alma: será que só eu, por ser eu, sofro disso?
Outro dia, Diário, me peguei lembrando - lembrar de coisas que vivi e que ainda não vivi (rs) é meu passatempo predileto - de situações em que fui cruel com as pessoas, tanto desconhecidas como pessoas muito próximas. Amigos do peito, mesmo. E fiquei pensando se isso é um predicado exclusivo meu ou se em algum momento (ou vários) cada um mostra seu lado "Mr. Hyde".

Engraçado é que quando comento sobre algum rompante de insanidade ou alguém o presencia o comentário é um só: "Não te imagino assim, você é tão calma. Tão zen". Será que até os zen budistas também têm sua parte escura? De vários episódios eu me arrependo profundamente, como o de uma senhora que estava viajando sozinha e me pediu para guiá-la quando fôssemos desembarcar. Ao mesmo tempo em que assenti com a cabeça, pensei "só me faltava essa...". Dá para imaginar o que aconteceu quando liberaram o desembarque...Me arrependi. De coração. Mas na hora eu só queria fugir daquela mulher e não perder a hora da minha conexão. De vez em quando me vem à mente a imagem dela, como também me vêm...

...As várias vezes em que fui cruel com minha melhor amiga de infância. De tão constrangedores os episódios prefiro até privar você, Diário, e mantê-los apenas na minha memória, pra me torturar enquanto eu viver ("viver" é ótimo. rs).

...As vezes em que eu neguei carona pra pessoas que não me passavam pela garganta, que depois descobri serem verdadeiros amigos e que me queriam bem.
...A vez em que fiz justiça com minhas próprias mãos e deixei uma pessoa (ah, vai..."pessoa" é ser simpática demais com este ser) mancando. A vingança é um prato que se come frio e eu degustei o meu justamente numa festa de gala. Minha formatura. Decidi colocar em prática os oito meses em que pratiquei jiu-jitsu numa "convidada de honra". Eu saí com a alça do vestido quebrada e um arranhão no ombro. Ela...
...As vezes em que fiz cara feia e fui malcriada com meu progenitor, deixando-o constrangido na frente de terceiros, por não engolir as golpis...ops! companheiras dele.

Às vezes eu tenho medo de mim mesma.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Estranho é relativo

Meu sonho ter uma família assim
Desde pequena tenho a Família Addams como um exemplo a ser seguido. Nunca havia entendido o porquê, Diário, dessa minha fascinação, que só foi evoluindo com o tempo. Mas agora, uns 987483274826428421 de anos depois que assisti ao filme pela primeira vez, sim. Apesar do excêntrico estilo de vida, eles são extremamente amorosos uns com os outros, unidos e sólidos como uma rocha. Mais que isso: são fiéis a sua filosofia de vida (com todas as esquisitices que isso represente), ainda que essa decisão lhes custe o olhar de reprovação da sociedade - pra não dizer "apartheid".
Nesses dias que fiquei ausente, passei por algumas experiências que me fizeram refletir - mais um pouco do que o muito de normalmente, rs - sobre o que é estranho, esquisito, inaceitável, reprovável...E a resposta eu encontro justo onde? No pôster do meu filme de infância favorito. "Estranho é relativo". E ponto. Simples assim.
Tão simples e ao mesmo tempo tão complicado. Complicado as pessoas entenderem que a minha maneira de ser e que me faz feliz, que me faz fugir um pouco desse mundo tão louco, tão cruel e tão injusto, não faz mal ao próximo, não prejudica ninguém. É apenas uma válvula de escape. É apenas uma fantasia. É estranho? Isso é relativo. É um incômodo? Por que? Por que eu não sou como queriam que eu fosse? Perdão. Não sou perfeita. É mais forte do que eu. Acho que o nome disso é personalidade e cada um tem a sua.
"Se Deus quisesse que fôssemos iguais, por que Ele nos fez tão diferentes?", questiona uma personagem do filme "Galera do Mal" (apesar da tradução tosco-brasileira, o filme é bem legal) a um pastor. Ele não soube responder.

domingo, 2 de novembro de 2008

Para isso fomos feitos

Uma prece por quem se vai...


Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.



Poema de Natal

Vinícius de Moraes



Uma singela homenagem àqueles entes queridos que já partiram.