sábado, 15 de novembro de 2008

O meu Mr. Hyde

Escuridão na alma: será que só eu, por ser eu, sofro disso?
Outro dia, Diário, me peguei lembrando - lembrar de coisas que vivi e que ainda não vivi (rs) é meu passatempo predileto - de situações em que fui cruel com as pessoas, tanto desconhecidas como pessoas muito próximas. Amigos do peito, mesmo. E fiquei pensando se isso é um predicado exclusivo meu ou se em algum momento (ou vários) cada um mostra seu lado "Mr. Hyde".

Engraçado é que quando comento sobre algum rompante de insanidade ou alguém o presencia o comentário é um só: "Não te imagino assim, você é tão calma. Tão zen". Será que até os zen budistas também têm sua parte escura? De vários episódios eu me arrependo profundamente, como o de uma senhora que estava viajando sozinha e me pediu para guiá-la quando fôssemos desembarcar. Ao mesmo tempo em que assenti com a cabeça, pensei "só me faltava essa...". Dá para imaginar o que aconteceu quando liberaram o desembarque...Me arrependi. De coração. Mas na hora eu só queria fugir daquela mulher e não perder a hora da minha conexão. De vez em quando me vem à mente a imagem dela, como também me vêm...

...As várias vezes em que fui cruel com minha melhor amiga de infância. De tão constrangedores os episódios prefiro até privar você, Diário, e mantê-los apenas na minha memória, pra me torturar enquanto eu viver ("viver" é ótimo. rs).

...As vezes em que eu neguei carona pra pessoas que não me passavam pela garganta, que depois descobri serem verdadeiros amigos e que me queriam bem.
...A vez em que fiz justiça com minhas próprias mãos e deixei uma pessoa (ah, vai..."pessoa" é ser simpática demais com este ser) mancando. A vingança é um prato que se come frio e eu degustei o meu justamente numa festa de gala. Minha formatura. Decidi colocar em prática os oito meses em que pratiquei jiu-jitsu numa "convidada de honra". Eu saí com a alça do vestido quebrada e um arranhão no ombro. Ela...
...As vezes em que fiz cara feia e fui malcriada com meu progenitor, deixando-o constrangido na frente de terceiros, por não engolir as golpis...ops! companheiras dele.

Às vezes eu tenho medo de mim mesma.

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