domingo, 17 de maio de 2009

A ironia do destino




Bem que dizem que depois de algum tempo, ou quase sempre nunca, os humanos entenderão os desígnios do Chefe. Que Ele escreve certo por linhas tortas...Que as coisas acontecem conforme a Sua vontade e que o Seu plano é perfeito. Geralmente, Ele me dava uma resposta quando me passava, aparentemente sem o mínimo nexo, uma tarefa árdua para resolver. Mas ela vinha depois de algum tempo. Eu a compreendia meio que naturalmente. Como agora.




Como te relatei há uns meses, o Chefe me deu "carta de alforria", exonerou-me do cargo que eu ocupava há anos. Assim, aparentemente, sem mais nem menos. Foi então que eu entendi que Ele passou para o meu substituto imediato a mais árdua tarefa do mundo. Preparar um ente querido - meu - para uma lição bem dolorosa. Muito dolorosa. Ele, o Chefe, sabia que eu nunca seria capaz de cumprir este desígnio. Porque Ele sabe de todas as coisas.




Não obstante, misericordioso como nenhum outro, quero acreditar que o Patrão ainda me deu um grande abono para conseguir passar por mais este - talvez o pior de todos - período de provação. Uma nuvem, daquelas bem volumosas e alvas como a neve, que me protege das pancadas que venho levando consecutivamente.




A impressão que tenho é que parece que fiz um vestibular há dois anos no qual devo ter sido aprovada com louvor para entrar nesta "faculdade". Não sei ao certo quanto tempo durarão as aulas. Espero aprender o que Ele quer que eu aprenda. Mais ainda: quero e preciso ser a melhor aluna da classe. Acredito que na disciplina Ironia eu devo eliminar ainda no terceiro bimestre.